21 Novembro, 2008
Preliminares
Andava eu muito sossegada numa vidinha entre o escritório e casa, o que até nem me importava porque aproveitava para pôr os meus contactos em dia (de trabalho, claro), e ainda para visitar alguns blogues, quando o meu chefe veio ter comigo e me disse que estava para chegar um novo colaborador para a empresa, e que gostaria que ele passasse uns tempos comigo. Eu sorri-lhe com honestidade, e disse-lhe: "Claro, se o chefe acha que sou capaz de tomar conta de alguém..."E ele entre dentes avisou-me: "Nada de copofonia, ouviste?"
Fiquei logo a perceber que iria ter um problema pela frente para resolver, e questionei-me se já teria chegado à fase de me acharem maternal, para me estarem a rodear de putos novos. Logo eu que já comi montes de putos imaturos...
Restava-me a esperança de me surgir pela frente um puto imberbe e borbulhento, que me fizesse não pensar em actos pecaminosos.
E lá chegou o seu primeiro dia. Eu apresentei-me no escritório com uma roupa discreta, para não impressionar, e esperei confiante, inventando telefonemas à espera da chegada do novo colaborador...
"Este é o B." - disse-me o chefe exibindo-o com orgulho. E tinha razões para isso, porque eu vi logo na cara do puto a palavra PROBLEMA, e disfarcei com um cordial - "Bom dia B.".
Dei-lhe duas ou três tarefas menores para começar... uns preliminares, portanto... e no fim do dia ele perguntou-me: "Vamos jantar?". Fiquei em pânico, porque ele era um puto bem-parecido, moreno, alto, e com um lindo sorriso...
Ia dizer-lhe que não? Estando ele em formação comigo? Levei-o a jantar ao Bairro Alto.
Conclusão... ando a jantar com ele há duas semanas, e ontem bebemos de mais, ao percebermos que queremos ver os mesmos concertos, e que gostamos dos mesmos filmes. Quando apanhámos o táxi e parámos à porta de minha casa, ele disse-me: "Gostava de subir para ver os teus discos". E eu levei-o comigo, e enquanto ouvíamos um CD novo, de repente ele riu-se e disse-me: "Ensina-me os preliminares"...
Agora estou com um problema... é que estou a ver que a formação vai ser longa...
17 Outubro, 2008
One Night Stand
Há alturas na nossa vida afectiva em que somos capazes de nos comportar como autênticos refugiados, e por isso abrigamo-nos no beijo de quem estiver mais próximo, e escondemo-nos nos lençóis que se nos apresentam mais confortáveis.Somos capazes de nos comportar como autênticas prostitutas de sentimentos, e de vendermos o amor que sentimos por um pouco de atenção... por um beijo fácil... por uma noite descomprometida... por um amanhecer a dois seguido de... nada...
Não temos medo, nem vergonha de nada, e sentimos que podemos amar à vontade, porque este tipo de relacionamentos não passam da alvorada.
Somos estúpidos... hipócritas... egoístas... e egocêntricos atordoados por delírios esculpidos no meio de dois corpos unidos pelo acaso, que depois se despem um do outro sem se despedirem...
It's always and only a one night stand...
23 Setembro, 2008
A caixinha que mudou o mundo
A caixinha que mudou o mundo, não foi a televisão, meus amigos. Foi uma caixinha espevitada de comprimidos azuis, e que diz na embalagem Viagra.Nunca tive muito contacto com medicamentos, ainda que qualquer infância não seja infância sem brincar aos médicos. Curiosamente atraio imensa gente hipocondríaca. Será que vêem em mim a continuação dos problemas, ou a salvação?
Vamos lá a ver... não é vergonha nenhuma tomar Viagra. Pelo contrário. Felizes os que têm posses, e (à) vontade para o comprar. Para mim é que foi a primeira vez que estive com alguém que o fazia, e fiquei com uma ligeira taquicardia mesmo sem os tomar, e foram milhares as perguntas em atropelo que me surgiram na cabeça...
- Será que um homem se sente ofendido se uma mulher em pleno acto gritar... Viagraaaaaa? Será traição?
- Uma mulher deve oferecer-se para ir buscar os comprimidos com um copinho de água, ou devemos ignorar que ele os toma, para não o ofender?
- E andar com uma caixinha suplente na carteira será de mau tom?
Que fique bem claro que sou capaz de gostar de um homem que tome Viagra, porque isso apenas significará que ele é capaz de fazer das suas fraquezas o seu forte.
05 Julho, 2008
Uns pés lindos
Tirei do armário meia dúzia de peças de roupa e dois pares de sapatos, para a viagem que ia fazer. Deixei o carro em casa e fui apanhar o pendular. Sentei-me em primeira classe, e prevendo que o sono iria chegar, resolvi descalçar-me, e quando estava a esticar as pernas, chegou um homem que se sentou mesmo ao meu lado. Ele tinha um ar tão clássico quanto perfumado. Raios! - pensei - e fechei um olhito, deixando o outro entreaberto a vigiar o ambiente. Entretanto adormeci.Quando acordei, temendo que o fiozinho da baba me tenha traído a figura estudada, resolvi voltar a calçar-me, e enquanto o fazia, ele sorriu e disse-me: "Não devia calçar-se. Tem uns pés lindos!" . Soltei um risinho que não me fez recuar.
"Que número calça?" - eu disse-lhe, o que o fez sorrir.
"Ainda bem que não é demasiado alta" - disse ele simpaticamente.
O que ele devia querer dizer é que sou baixa, e vou bem no número que calço, para não cair dos pés... Este foi precisamente o momento em que pensei que ou me calo para sempre, ou já não lhe dou com os pés.
O comboio chegou a Coimbra, e restava-nos menos de uma hora de convivência. Foi então que lhe resolvi perguntar como se chamava, e perguntar-lhe o que fazia, ao que ele me respondeu, e devolveu as mesmas perguntas, às quais também eu lhe respondi. Entretanto já estávamos em Espinho...
No Porto não tinha ninguém à minha espera, apenas um fim-de-semana de spa, e amigos era o que previa, e era tudo o que me apetecia. A ele deve ter começado a apetecer mais qualquer coisa, porque de repente perguntou-me: "E se viesse jantar comigo hoje?". Só um homem com uma personalidade muito forte teria coragem para fazer um convite assim.
E porque não?... - pensei eu (este é o meu pensamento preferido quando estou receptiva a todas as possibilidades).
Antes de jantar fomos deixar as malas ao hotel, e estava eu no meu quarto a retocar a pintura, quando ele bateu à porta. Vinha aparentemente confiante, entrou no quarto, e sentou-se em cima da cama, de comando de Tv na mão, e começou a fazer zapping enquanto esperava por mim. Entretanto lá saímos em direcção ao restaurante...
À segunda garrafa de vinho comecei a sentir um fracote por ele, e já o meu pensamento estava no acolhedor quarto de hotel, quando ele decide baixar o tom de voz, e falar-me do fracasso do seu terceiro casamento...
"Ó céus!" - pensei - "Queres ver que ele está a pensar no quarto? Mas não é nesse quarto que eu quero que ele pense, é no outro..."
Ele fez questão de pagar o jantar, e eu de o convidar para dançar. Umas amigas minhas punham música num bar, onde os hits dos oitentas não nos chocariam.
Quando lá chegamos, empurrei-lhe um Whisky pela goela abaixo, e uns minutos depois já ele estava pendurado no pescoço das minhas amigas.
Tudo estava a correr bem até ao momento em que ele começou a dançar o "Just like heaven" dos Cure como se fosse o foxtrot!!! Arrasou-me...
Fui emborcar às escondidas uns shots, enquanto ele jingava tudo o que havia nele. "Ai que medo" - pensei. E lá fui eu de sorriso posto bambolear um bocadito com ele. As minhas amigas devem ter notado qualquer desfasamento, porque pouco depois começou a trocar um slow, coisa nunca vista nestes bares. A meio do enrolanço, já qualquer coisa tilintava surdamente nele, e dali ao quarto do hotel, foi só mais um passo...
Quando entrámos no quarto, ele gritou: "Estou tão feliz! Casa comigo".
Eu depois de ter emborcado duas garrafas de vinho, e uns dez shots, já me via de grinalda e cachucho de noivado, e num momento de lucidez pensei:
"Calma, que tu nem sabes se ele tem pêlos no peito. Não te precipites para o abismo..."
19 Maio, 2008
Mas é mentira!!!
Sei o quanto doem as desilusões.Não falo daquelas que existem no amor, e que fazem pender a balança uma vez para um lado, outra para o outro, até que um dia tudo se desmorone com um silêncio ensurdecedor.
Falo das relações de sangue, que deveriam perdurar toda a vida, que crescemos a acreditar que são sagradas, e imunes a todos os males.
Mas é mentira!!!
A vida corrói as relações entre adultos, porque as pessoas crescem de formas diferentes, e amadurecem muitas vezes com amargura, raiva, e frustração. É triste, mas é verdade...
Tenho cada desilusão que a vida me trouxe cravada na pele como se fossem cicatrizes.
23 Abril, 2008
Coragem
Não sou amarga, por mais que me contrariem o coração. Sou apreciadora de homens com sensibilidade, e com bom senso, embora normalmente o bom senso seja muito relativo...Desde muito nova que me apaixono com facilidade, por isso decidi trocar o termo "paixão" por "fascínio", porque me fascino com tudo o que as pessoas têm para me mostrar, e com tudo o que lhes posso conquistar. Gosto desta luta, que por vezes se assemelha à improbabilidade de encontrar uma casa de banho limpa num festival de Verão.
Uma desta noites sentados na mesa de um bar, e com a vista mais bonita com que poderia sonhar como pano de fundo, ele por quem me sentia apaixonada, disse-me:
"É estranho, mas eu nunca me senti tão à vontade a falar com ninguém como contigo"
E eu perguntei: "E isso é bom, ou mau?"
Ele respondeu-me: "É assustador"
Depois dele me dizer isto a música do bar parou, e os empregados limparam os últimos copos. Então eu quase a cambalear levantei-me, fui até ao balcão, e ajudada por tudo o que tinha bebido e ouvido, dirigi-me ao barman e disse-lhe:
"Eu percebo que queiram todos ir para casa descansar, mas não parem a música, para não me pararem este momento"
Voltei à mesa dos copos vazios, de todas as palavras que ele ainda não me tinha dito, e de todas as confissões, e voltamos a ouvir a banda sonora da noite, que por acaso era péssima devo dizer, mas o que quer que fosse teria soado bem naquela noite.
Saímos do bar directos para o carro, de mão dada, e unidos pela paixão. Ele deixou-me em casa e fui dormir. Nunca mais estive com ele...!!!
Vejo-o muitas vezes, ele sorri-me a medo, e eu procuro nem olhar para ele. Quando estou acompanhada, ele arrisca em vir dar-me um beijo, porque sabe que assim não corre o perigo de eu o questionar. Vem com o seu ar "politicamente correcto" e pergunta-me: "Estás boa?". Depois afasta-se confiante, e com a sensação de ter cumprido o seu papel.
Deve pensar que eu acho que ele até é um gajo porreiro... e até acho, só que para mim um gajo porreiro é uma coisinha insuficiente, porque na minha avaliação, seja de uma queca, ou de um amor, a positiva só começa a partir da coragem.
Não percebo como ele pode ter sido tão cobarde, e há de certeza quem ache que eu deveria vingar-me dele, enxovalhá-lo, ou desprezá-lo num momento "politicamente correcto", mas eu nunca lhe faria uma coisa dessas, porque a vingança é uma motivação muito perigosa, por isso prefiro sorrir, sabendo que um dia ele vai lembrar-se de mim quando precisar de coragem.
A coragem só podia ser mesmo uma palavra feminina...
17 Março, 2008
Escapadela
Demos uma escapadela de duas noites ao hotel mais bonito, e mais "in" da minha cidade, que é aquela a que os Lisboetas insistem em tratar por "Inbicta", o que me irrita bastante, tanto quanto a história do "cimbalino", que já ninguém diz, mas que eles insistem...A coisa começou logo mal, porque chegados ao hotel ele abraçou-me logo na recepção, e aquilo, sei lá porquê, pareceu-me exagerado... enjoativo mesmo...
Subimos no elevador envidraçado que me faz sonhar com Tóquio, e comecei a achar que ele não tinha sido a escolha certa para contracenar neste filme comigo, mas aguentei-me...
No quarto, ele começou logo a despir-me, e eu a sonhar com o jacuzzi, acabei por lhe dizer, num estilo que não me reconheço: "E se deixássemos isto para depois?". E comecei a sentir os primeiros sinais de arrependimento.
A caminho do spa, eu e ele de roupões vestidos, e mesmo comigo a precisar de mais umas sessões de drenagem linfática, a verdade é que me sentia nas tintas para que ele reparasse nisso, porque não estou apaixonada, porque se o estivesse a conversa seria outra.
Na piscina, ele refastelou-se nas cadeiras longas, e eu nem queria acreditar quando ele sacou do seu charuto, e me perguntou confiante: "Vamos?". E enfiou-se no jacuzzi de charuto na boca, julgando-se dono do mundo!!!
No momento em que lhe digo: "Não me parece que te fique bem essa coisa na boca", uma rapariga muito educada vem ter connosco e pede-lhe amavelmente que apague o charuto.
A partir daqui começou a minha contagem decrescente para que esta escapadela de duas noites chegasse rapidamente ao fim. Era escusado... era escusado eu ter dado a este gajo esta oportunidade, mas se não o tivesse feito, talvez me arrependesse na dúvida. Assim fiz, está feito, e não se repete.
O tempo acabou por passar depressa, graças à quantidade de vinho e cocktails que fui bebendo. Na primeira noite, bebemos tanto que caímos na cama vestidos. Na segunda noite, invoquei a amiga ressaca para não ser "incomodada".
Benditas as bocas que não se ocupam só de charutos...
23 Fevereiro, 2008
"fogo contra fogo"
E se houvesse um medicamento que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa que amamos?As farmácias seriam invadidas de gente à sua procura.
E se existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz lembrar esse mesmo alguém?
As listas de espera para essa cirurgia ficariam enormes.
Mas não existe... não há... não se vende... nem se opera...
Então pode-se esquecer?
Pode... digo eu... usando a técnica vulgarmente chamada de "fogo contra fogo", que consiste em lançar outro fogo na direcção do que vem a arder.
O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom, e fazer com que as coisas que estejam associadas à pessoa que queríamos, não nos pareçam assim tão agradáveis. Aqui o grande problema pode ser o vento reacender as chamas.
E o que poderá ser esse vento?
Pode ser uma chamada dela - Há que não atender o telefone.
Pode ser uma vontade de lhe ligarmos nós - Apague-se já o número.
Pode ser uma fotografia dela ainda guardada, ou uma carta que imbecilmente relemos, ou quem sabe aceitarmos um convite para um café em casa dela... Bem, mas isto já não seria bem vento, mas possivelmente um tornado.
Portanto, voltando à técnica do "fogo contra fogo", o mais importante é queimarmos tudo à volta sem usarmos um único fósforo, e assim, extinguirmos o pouco que ainda pudesse existir, não permitindo recaídas, que sabemos que só iriam adiar o inevitável.
01 Fevereiro, 2008
"a night to remember"
Gosto de utilizar "my own words", mas às vezes há músicas que falam por mim, e em que sinto que não lhes preciso de acrescentar nem mais uma palavra... É o caso desta música... "Let's make a night to remember".Tenho tido noites inesquecíveis, e espero, que todos vocês também estejam conseguir, tal como eu, fazer das vossas últimas noites "a night to remember", e que as consigam prolongar ao longo de todo este ano.
Eu gosto do teu jeito esta noite, com o teu cabelo solto pela altura dos teus ombros.
Eu gosto do teu jeito de dançar aquele doce tango lento... o jeito como queres fazer tudo, excepto falar.
E como me encaras com esses olhos de "tira a minha roupa"...
E a tua respiração no meu corpo, deixa-me quente por dentro
Vamos fazer amor, vamos fazer algo incrível, vamos fazer algo sem parar.
Porque eu nunca toquei alguém do jeito que toco o teu corpo.
Agora eu nunca mais te irei deixar ir embora.
Vamos fazer uma noite, inesquecível, de Janeiro até Dezembro.
Vamos fazer amor para nos animar, uma lembrança para nos inflamar.
Vamos fazer mel... macio e delicado.
Vamos fazer açúcar... doce redenção.
Vamos fazer uma noite inesquecível para a vida inteira.
Eu gosto do jeito que tens de te mover esta noite. Gotas de suor a escorrer da tua pele. Eu deitado aqui, e tu deitada aí, e as nossas sombras na parede, e as nossas mãos em todo o lugar.
Eu penso em ti o tempo todo.
Será que não vês como que me deixas louco?
Bom, eu nunca mais me vou segurar outra vez.
Eu não quero que esta noite termine, porque eu nunca toquei alguém do jeito que toco o teu corpo.
Agora eu nunca mais te irei deixar ir embora.
06 Janeiro, 2008
O que se diz por aí
Haveria melhor forma de começar o ano, do que ouvir dizer por aí que o "Red Diaries" até não é um mau blog?Quem o diz é a Litinha, e de curiosidade em curiosidade, ela também quer saber que livro andei a ler recentemente. Pede-me para o abrir na página 161, e para transcrever para aqui a 5ª frase completa!!!
O que andei a ler, e que confesso me tomou muito tempo, não a ler mesmo tratando-se de um verdadeiro tratado, mas a por em prática, foi um relatório em que três mil mulheres, dos 14 aos 78 anos, confessam espontaneamente os seus mais íntimos sentimentos sobre sexo (obviamente só podia tratar-se de algo sobre sexo).
Então, neste tratado de 546 páginas, o que diz na página 161, na 5ª frase, é o seguinte:
"Primeiro estimulo a minha região clitoriana puxando a pele para cima, e tenho a sensação de que a minha vagina se abre, querendo ser preenchida, ou penetrada, mas se isso acontece, estraga tudo, talvez porque a coisa é muito generalizada, só talvez se o ponto exacto pudesse ser tocado, seria óptimo, porque no momento do orgasmo a sensação é intensíssima, mas se nesse momento houver penetração a coisa perde-se toda."
Tanto este desafio da "página 161", como o prémio "Diz que até não é um mau blog", têm as suas próprias regras, em que em ambos os casos depois de muito blá, blá, blá, chega-se ao que realmente interessa, que é nomearmos outros blogues para lhes dar seguimento.
Ora, se a raposa tem sete manhas, eu tenho a manha de sete raposas, e como gosto de manter o meu anonimato, e não gosto que a minha presença se torne demasiado óbvia (basta avaliar pelo reduzido numero de visitas, e comentários que este espaço tem), não irei nomear ninguém, porque isso iria gerar uma maior exposição da minha parte.
Espero no entanto ter conseguido satisfazer a curiosidade da Litinha.
02 Dezembro, 2007
Quartos de hotel
Os hotéis fascinam-me por uma variedade de razões. Os hotéis são espaços de uma incrível intimidade, feitos para pessoas anónimas. Os quartos de hotel servem para dormir... gritar... tomar banho... ter sexo... começar relacionamentos... terminar relacionamentos...No entanto cada vez que entramos num quarto de hotel sentimo-nos como se fossemos a primeira pessoa a lá estar, e não gostamos de encontrar qualquer vestígio de quem lá tenha estado instalado anteriormente. Parece que nos esquecemos que eles são limpos, e renovados cada 24 horas. Fascina-me como nós nos incorporamos num quarto de hotel, e como este se transforma no nosso refúgio.
Cada 24 horas num hotel funciona como se fosse uma vida, com princípio, meio, e fim. Fazemos de cada 24 horas o nosso percurso biológico de vida, o que de certa maneira é similar à nossa condição humana.
Enquanto estamos vivos, nós amamos... gritamos... rimos... dormimos... temos sexo... e por fim morremos. O mundo é limpo da nossa presença, o que na minha perspectiva faz com que o nosso tempo biológico seja breve... muito breve.
É como nos hotéis, em que tudo é relativo, breve, especifico... dura apenas 24 horas cada ciclo.
Os quartos de hotel, assim como os lobbies, os aeroportos, ou os edifícios de escritórios, são lugares feitos de neutralidade, e eu espero, e desejo não passar pela vida com a neutralidade com que sou capaz de passar por um lugar destes.
Quero passar pela vida deixando registros e mim... humanos... e emocionais, porque quer eu goste ou não, sou humano, por muito que às vezes pense, e tente ser um robô.
Será esta comparação demasiado excessiva?
Será que eu estou a desejar demasiado?
26 Novembro, 2007
Ficar por cima
Tenho um grupo de amigas, com as quais costumo jantar uma vez por semana em que quase falamos tanto quanto bebemos. À quarta caipirinha já a conversa ronda o sexo...Desta última vez dizia-lhes que quando não estou apaixonada por ninguém, costumo gostar de vários gajos ao mesmo tempo, com os quais brinco ao gato e ao rato, sempre que se aproximam de mim. Durmo com um ou outro que vagamente me interessa, até me cansar deles, e que na verdade não tenho pena de ter o coração fechado, porque é muito mais fácil viver assim. De vez em quando abro um pequeno compartimento e alguém entra, mas a verdade é que não fica muito tempo, e ultimamente tenho sofrido na pele a fuga de muitos deles.
Falava-lhes destas minhas dúvidas quanto às razões de fuga de tantos homens, quando uma delas me interrompe para dizer que se calhar o meu problema era o mesmo que o dela... que era o facto de no sexo ela gostar sempre de ficar por cima, e eu baralhada com a falta de novidade, respondo-lhe:
- Sim, é verdade que eu também gosto, e...?
Ela responde-me que normalmente os homens acham que as mulheres que gostam muito de ficar por cima são umas malucas, que não servem para casar, nem para mães dos filhos deles.
Fiquei a achar que tinha encontrado ali a resposta para alguns abandonos súbitos que tenho sentido nos últimos tempos, mas independentemente de ser ou não essa a razão, tenho que admitir que há mulheres que vieram ao mundo, não para serem mães dos filhos de ninguém, mas apenas para receber e dar prazer aos homens, e eu tenho que admitir que me enquadro e revejo dentro deste grupo, mas também concluí que não há nada como nos aceitarmos como somos, porque não deve haver nada que faça alguém mais infeliz do que querer parecer aquilo que não é.
06 Novembro, 2007
Satisfaz plenamente
Felizmente sou uma mulher de relacionamento fácil, por isso posso gabar-me de ter muitos amigos. Amigos estes que muitas vezes se irritam com as minhas incoerências, mas a todos eles eu já disse que para mim no amor não há coerência, e a verdade é que todos aqueles que de mim duvidaram fraquejaram no amor. E eu que costumo errar tanto, principalmente por a partir dos trinta anos me ter tornado aberta ao prazer do consumo imediato, não deixo de ter admiração por eles, ou talvez a tenha especialmente por isso, por eu também errar tanto.O amor nunca foi para sempre, mas agora ele é sempre tão rápido, que me decidi a correr atrás dele até me cansar. Estou-me nas tintas para o estatuto, para as aparências, ou para a intelectualidade que costuma unir pessoas que pensam da mesma forma, mas não une os corpos. Seguindo esta minha linha de orientação, tenho tido uma relação com o sexo mais honesto dos últimos meses.
Por honesto entenda-se um satisfaz plenamente, onde não há espaço para angústias, porque não há amor, nem promessas de espécie alguma. Esta combinação dá sexo puro, e uma entrega desmedida de duas pessoas que usam o corpo às cegas. Faz-se com as mãos, os pés, a língua, enfim... com tudo aquilo que se poupa em promessas e frases bonitas.
Eu nunca lhe pergunto nada que não seja pela linguagem corporal, mas isso não nos impede de ficarmos colados com os olhos um no outro com a luz a bater nas nossas imperfeições.
A paixão é como a claridade, deixa-nos ver todas as imperfeições, e continuamos ali presos a querer ver mais.
O que temos tido é sexo honesto, que nos satisfaz plenamente... e é tudo.
Estive com ele até agora umas seis ou sete vezes, e a última vez foi sempre melhor que a anterior, por isso estamos a pensar em criar uma nova edição do kamasutra.
16 Outubro, 2007
Isso já me parece imenso...
Não me adianta procurar, porque não existem livros para homens que sejam pais... nem na secção de ciências ocultas.Depois do bebé nascer deixamos de fazer parte da equação natural.
Não se trata de uma conspiração. As mulheres até tentam manter os homens dentro da equação. O problema é que nós não sabemos como nos manter maternos.
Seremos homens capazes de inventar um complexo químico qualquer que nos permita manter integrados neste acto solene de paternidade sem bocejar? Porque raio ninguém até hoje criou um código de conduta que discipline a actuação do homem numa família?
Talvez seja porque o pai é apenas o selvagem num meio que exige harmonia e paz.
Eu disse... apenas?
Isso já me parece imenso...
08 Outubro, 2007
A vida serve para foder, amar, e morrer...
Passamos a vida a tropeçar em desencontros, em chegar tarde de mais ao que queremos viver. Por isso é que vivo tudo o que me dá na real gana. Estes últimos anos foram prodigiosos, sinto que rejuvenesci... sim, porque o sexo renova.A quantidade de flirts, noites com Harmony, e outras menos harmoniosas que passei, fazem-me saber bem o que quero... quero continuar a viver de uma forma despreconceituosa. A opinião dos outros sobre a minha vida é pouco relevante.
É bom saber que vou sempre a tempo de viver o que quero, porque o coração nunca se deve adiar.
23 Julho, 2007
"Bem fodida"
Às vezes fico sozinha à sexta-feira à noite. Calha de chover... e eu fico. Visto o meu robe, há quem lhe chame "espera-maridos", ocupo as mãos com um comando, e um pacote de bolachas, e fico à espero do momento de adormecer, tendo a certeza que amanhã é outro dia...Eu sabia que isto das sextas-feiras em casa não ia durar para sempre. O sábado é um óptimo dia para recomeçar a viver, sobretudo depois de na véspera ter adormecido no sofá. Por isso juntei-me ao jantar à minha melhor amiga, ao namorado dela, e a um amigo do namorado dela... que eu não conhecia.
Ele é tranquilo, não fuma, não bebe... muito, conversa bastante, é bonito, e simpático.
Depois de sairmos do restaurante fomos até um bar beber um copo, e eu convenci-o a emborcar vários copos, o que desconfio, fez com que visse o mundo com outros olhos... Por isso acabei a noite à porta de casa da minha amiga, com ele dentro do meu carro, e eu a falar-lhe de amor...
Na segunda-feira cheguei ao emprego decidida, e meti quatro dias de férias, para andar a "passear" com ele, e acabámos na cama ainda a semana ia a meio.
No jantar do sábado seguinte fui ter ao restaurante onde já estava um grupo de amigos para comemorarmos o aniversário da minha melhor amiga... e entre eles estava um grande amigo meu de outros carnavais. Ele diz que nota quando eu ando com um ar satisfeito. Satisfeito é um eufemismo para a expressão "bem fodida"... e desta vez tinha razão em dizer que eu estava satisfeita. Ele já me conhece o suficiente para saber como sou eu com ar de "bem fodida", e eu gosto que se perceba a diferença.
E agora eu pergunto-me que ar é esse de "bem fodida", que eu trazia, e que não tinha noutras alturas em que houve outras pessoas na minha vida?
Quando andava com o meu anterior namorado, parecia uma bipolar afectiva, a oscilar entre a felicidade extrema, e a tristeza profunda. Não tinha nada a ver com o sexo. O sexo não me saciava as dúvidas, porque eu estava apaixonada, e tinha sempre medo que ele não voltasse a telefonar... o que um dia de facto aconteceu.
Era a disponibilidade... a disponibilidade é tudo. Quando encontrei o amigo-do-namorado-da-minha-melhor-amiga, estava disponível para ser saciada. Não basta termos bom sexo, é preciso sentirmo-nos desprendidos, e eu senti-me desprendida, porque nenhum de nós tinha expectativas de nada, a não ser termos bom sexo.
Agora já podem ver em mim indícios de "bem fodida", e digo-vos que "ando entusiasmada". Não estou apaixonada, mas sinto-me entusiasmada com as pessoas que se cruzam comigo... a um passo de voltar a estar "bem fodida"...
24 Junho, 2007
Só um santo é que não se aproveitaria...
Não compreendo as mulheres que choram a qualquer momento por tudo e por nada... Irritam-me... porque parece que vertem lágrimas como se estivessem a fazer chichi.Ao menos eu, quando sinto vontade de chorar, finjo que estou com um aperto, vou à casa de banho e abro as torneiras para molhar a cara.
Não pensem que sou contra o choro. Não, nada disso, até porque as lágrimas nas mulheres... refrescam-me... levantam-me a moral... e às vezes até lhes lambo os cantos dos olhos... a mim sabe-me como beber umas caipirinhas... só que sem álcool... inteiramente naturais!!!
Quando digo "não chores" funciona sempre, porque só de mencionar o verbo "chorar" emociona-as, e liberta-as para chorarem ainda mais!!!
Só intervenho com palavras de esperança, e de amor quando elas vão longe de mais e começam a pingar do nariz.
As mulheres depois de chorar ficam quase sempre com vontade de fazer amor. É como se apanhassem uma chuvada... ficam todas molhadas... e eu funciono como a toalha que está mais à mão...
E as que choram depois de fazerem amor? Estarão assim tão arrependidas? Comovidas? Simplesmente agradecidas?
Gostaria de pensar que sim... de preferência as três coisas ao mesmo tempo... mas a verdade é que nem elas próprias sabem!!!
Riem-se logo de seguida... mas as piores são as que se riem logo ao princípio... mas a verdade é que as piores também são as mais queridas...
É horrível, não é?
Mas só um santo é que não se aproveitaria...
13 Junho, 2007
Ser Mãe
Eu nunca quis ser mãe, mas ainda assim tenho uma vontade inesgotável de dar amor aos meus amigos, e deve ser por isso que todos eles acham que eu daria uma boa mãe... eu também acho, mas não quero...Nunca tive essa vontade, e não a vou contrariar. Vivo feliz os meus dias de liberdade, de prazer, e de amor.
Sempre me senti feliz por nunca ter pensado em filhos, e ainda hoje continuo firme na minha certeza, mas a verdade é que esta minha convicção não me livra de uma tragédia... a tragédia seria ficar grávida sem querer.
Há uns tempos atrás corri o risco estúpido de engravidar. Tinha todos os sintomas, e um pai para a criança de que me orgulharia. Se a gravidez se tivesse confirmado, a minha vida não seria a coisa boa que é.
Na minha idade, e com dinheiro e inteligência suficiente para criar uma criança, eu não faria um aborto, mas também não gostaria de ser mãe, por não ser essa a minha opção de vida.
E se a natureza me fintasse e fizesse de mim mãe à força?
15 Maio, 2007
Depois ligo-te
Apanho os sapatos e saio sorrateiramente do quarto enquanto ele ainda dorme. Atravesso o corredor do hotel em passinhos leves, temendo que no meu rosto se perceba o que me vai na cabeça. Não me despedi dele, mas podia ter-lhe dito: "Depois ligo-te" - e desaparecer para sempre...Entro no carro, sorrio ao espelho, e no seu reflexo descubro uma marca no pescoço, que antes não estava lá... foi do prazer... do sexo sem limites nem demasiada racionalidade, até porque os copos são bons conselheiros... os copos e os corpos fundem-se mais facilmente, e ele foi incansável... e eu a nada me furtei...
Talvez a esta hora ele ainda sonhe... ou talvez se esconda no seu blazer...
E agora? O que quero eu?
O telemóvel dá sinal de vida, é ele.
"Preciso de te ver. Descobri que estou apaixonado por ti"
Ai que medo, penso!!! Agora é que o jogo vai começar...
Respondo-lhe com uma proposta para jantar. O jantar fica marcado... o meu pescoço também continua marcado... e eu ainda tenho umas trinta e sete vezes para lhe dizer: "Depois ligo-te" - até a dívida ficar saldada...
Ele apareceu no jantar com o perfume que em tempos me fazia seguir-lhe o rasto. Bebi de golada um Martini Rosso, e ele que antes tinha dificuldades em me ouvir falar, estava agora disposto a dar atenção às minhas palavras.
Ó céus!!! Tanto tempo andei atrás dele, e não é que agora ele vai directo ao assunto: "Estou apaixonado por ti" - Tarde demais, pensei... mas não disse. Fui sorrindo delicadamente, e então confessei: "Sabes, estou numa fase em que só tenho olhos para o trabalho, e sobra-me pouco tempo para namorar".
Ah, ah, ah! Como se alguma vez eu não desse um pontapé no trabalho para ir a correr em busca do amor... ou de uma noite bem passada.
Ele também bebeu sem pestanejar, e dando folga ao nó da gravata (sinal de que o vinho já o encorajava), disse: "Estou disposto a esperar por ti".
Num momento tão solene como este, que era tudo aquilo que eu sonhava há uns tempos atrás, o meu telemóvel tocou com uma sms... ele impaciente perguntou: "Está tudo bem?" - e eu respondi-lhe: "Surgiu um problema, nada de grave, mas tenho que ir, depois ligo-te".
Ai que bem que isto me está a saber...
05 Maio, 2007
O meu coração morre sozinho...
Falamos de amor. Inventamos as nossas vidas, e esquecemo-nos de tudo.Ela é o meu amor, e eu sou o amor dela. Damos as mãos... mas não fazemos nada... mas também não reparamos.
Não vamos a lado nenhum... não podemos... mas mesmo que pudéssemos, não iríamos.
Não fazemos planos... não os temos... estamos juntos de vez em quando, e é a única coisa com que nos importamos.
Ela não me ama como eu a amo, mas eu também não a amo como já amei. No entanto falamos como se nos amássemos mais que nunca... nada mais é importante... e o meu coração morre sozinho...
13 Abril, 2007
O meu peito
O meu peito está entre o "satisfaz mais" e o "satisfaz bastante". Um belo peito descobre-se com o tempo, mas há quem já não perca muito tempo a apalpar as mulheres. Talvez os decotes tenham sido destronados pelos tops da barriguinha à mostra.Será então que o silicone já passou de moda?
Eu diria que não, que o silicone é tão útil como o puré de batata de pacote, ou seja, há bocas que comem tudo e não percebem a diferença.
Eu pessoalmente gosto muito de receber elogios ao meu decote... aprecio-os. É verdade que por esta altura, sofro sempre um bocadinho, por não poder usar tanto os decotes como gostaria.
A verdade é que eu gosto de decotes, e de evitar os soutiens... o meu maior prazer é evidentemente não usá-los. Coisa que faço sempre que posso. Apesar de, como já vos disse, me dar a ideia de que hoje em dia já não se liga tanto a um bom par de mamas.
E o tamanho das mamas será que conta?
Eu tenho a ideia que a importância do tamanho é relativa, porque tenho amigas, que tendo-as pequenas, as aproveitam muito bem. O frio, como sabem, é bom amigo das maminhas, porque as torna arrebitadas, e mais bonitas. Mas não abusem, porque apanhar uma constipação acaba sempre por dar cabo de tudo.
16 Janeiro, 2007
A reunião
A idade não me pesa nadinha. Depois dos trinta tudo nos deve ser permitido, mas na verdade antes também já era, porque o "tudo" foi sempre pouco para mim.Dez da manhã, entro para uma reunião, sobre assuntos que não me dizem muito respeito, mas sinceramente, gosto que me peçam a opinião, até porque tenho sempre algo a dizer. Tenho aprendido que todos devem ser ouvidos, é por isso que dou hipóteses a todos.
Na reunião está apenas um homem, que é olhado por todas nós com admiração. Sim... ele é um homem bonito... tem aquela beleza simples em que apetece tocar, e quem sabe... até acordar.
A reunião termina como sempre sem nenhuma decisão tomada. Saio para a rua, e apercebo-me que já é hora de almoço, quando ao ouvido me sussurram:
- "Podemos almoçar juntos?" - É ele, e está com um olhar maroto que nunca lhe tinha visto antes...
Embasbacada, respondo-lhe:
- "Claro que sim..." - sem perceber onde ele quer ir
- "Sempre me apeteceu convidar-te para almoçar, mas nem sei bem porquê, nunca tive coragem" - disse ele
- "Então... olha... nunca tinha calhado antes" - digo-lhe eu estupidamente, e caindo no ridículo de um lugar-comum
- "E que tal se em vez de almoço, fosse um jantar hoje?" - desafia ele
- "Porque não? Jantámos quando tu quiseres" - respondo-lhe eu enquanto sorrio
A ansiedade que varreu o resto do meu dia deixou-me sem apetite para o jantar... no estômago... só nervos...
Ele falou o tempo todo, e deu-se a conhecer como imagino ninguém o conheceria, e no fim do jantar, foi directo ao assunto:
- "Gostava de passar esta noite contigo"
Só então percebi que o hotel onde jantámos não tinha sido escolhido ao acaso.
Bebi o copo cheio de uma vez...
Quem diria que ele por todas admirado, e elogiado, se revelaria esta força da natureza, que não me deixou dormir, e que mal me deixa sentar...
22 Dezembro, 2006
Não sou um gajo como os outros
Quando um homem ama uma mulher, parece que odeia todas as outras mulheres. Com as mulheres já não é bem assim. Vá lá alguém saber porquê. A indiferença parece que as atrai... desafia-as... diverte-as... sei lá... deve enfurecê-las pensar:"Este gajo não quer nada de mim..."
"Não penses que sou um gajo como os outros" - disse eu a uma que só queria dormir comigo - "sem fazer nada" - como elas gostam de dizer. Como se dormir não fosse já gravíssimo!!!
Abri um livro, e comecei a ler... ela começou a rir-se... esticou o dedo do pé até tocar no meu pé, e respondeu...
"Eu sei... vi logo que eras um gajo diferente..."
Continuei a ler...
"Diz-me uma coisa bonita" - pediu ela
E eu disse...
"És a rapariga mais bonita que já vi..."
E ela perguntou...
"Quantas viste até hoje?"
E eu respondi...
"Contigo treze..."
Fodemos como doidos... mas eu queria ler!!!
Amei-a... depois tentei esquecer... e ela enrolou-se numa almofada e dormiu...
Agora o que me custa mais não é tanto lembrar-me desses momentos... é não os esquecer...
O que é que se faz com o que nos fica na cabeça, quando já não há nada a fazer?
01 Dezembro, 2006
Infidelidade
Pensando que ainda tenho metade da vida para viver, não sei se é mais fácil sobreviver no amor, ou viver no desamor. A verdade é que já experimentei ambas as situações. Considero-me uma mulher vivida e sofrida, até infiel já fui algumas vezes... poucas...Será que me deveria arrepender de o ter sido?
Não, não arrependo, porque para mim a infidelidade foi sempre um estado de transição. Uma resposta aos impulsos do corpo, e um desafio à minha consciência.
Para mim, ser infiel é um sinal de alerta, é como quando bebemos muito e o fígado manda para o exterior sinais de descontentamento.
O que eu não sei mesmo, e me pergunto muitas vezes, é se alguma vez fui enganada. Não sei se alguma vez alguém que amei dormiu com alguém que não fosse eu.
Se é importante?
Nada... nadinha...
Quanto a mim posso dizer que já tive sexo com outras pessoas antes de descobrir que já não estava apaixonada pela pessoa com quem mantinha uma relação. Era um sinal... e foi...
Quando era mais nova, lembro-me de que sabia que estava apaixonada, por não desejar mais ninguém, por não ver mais ninguém que não fosse o "meu" Amor. Às vezes parecia que tinha aversão ao mundo, porque só desejava a pessoa que estava comigo. Entretanto tudo isso mudou... cresci, alarguei os horizontes, e tornei-me disponível.
Em primeiro lugar para amar, mas também para sofrer por amor.
Diria que talvez na minha idade, a minha vida seja o reflexo dos meus pecados passados. Mas como me recuso a aceitar isso, procuro estar mais atenta... vivo um período de busca acentuada, mesmo quando parece que não procuro nada... como agora.
Ao ter começado a namorar muito nova, aumentei as probabilidades de vir a ser infiel... e fui. E como dizer que não voltarei a ser, se estou disponível para amar?
Continuo sem saber se já alguma vez fui enganada, mas já fui abandonada, e a dor torna-se maior quando não sabemos porquê.
O amor é mesmo mais o meu género, mas o problema é que a paixão é mais o género da infidelidade...
14 Novembro, 2006
Quem não é para comer, não é para foder
Sinto-me bem na minha pele, gosto do meu corpo, de me entregar sem medo, e não receio as minhas imperfeições.Quem se esconder do seu corpo nunca irá viver uma verdadeira paixão (é que o tempo das cartas já lá vai). Ter umas ancas largas, ou um rabo grande, é melhor do que caber num trinta e seis sem curvas.
Por vezes faço um zapping às mulheres que conheço, e imagino as que serão generosas na cama. Faço o mesmo também aos homens, e verifico que os mais preocupados com o seu próprio corpo, estão menos disponíveis para nos dar prazer. Gostam menos de beijar, e raras vezes fazem sexo oral. Reduzem-se à insignificância da penetração, que os torna másculos em cinco minutos.
Já pensaram que tanto ginásio vos faz perder a libido?
O mesmo se passa com as mulheres. A que se preocupam demasiado com a comida, e com o "pneu" (que não estava lá antes do jantar), ou fingem muito na cama, ou simplesmente nem se chegam a dar.
Sempre ouvi dizer que "quem não é para comer, não é para trabalhar". Perdoem-me, mas eu acho que "quem não é para comer, não é para foder". A mulher finge tão perfeitamente que às vezes chega a fingir que é prazer, o prazer que não sente. E como eu odeio fingimentos...
Há uns tempos atrás, vivi uma paixão arrebatadora, e foi precisamente nessa altura da minha vida, em que o tecido entrou em litígio com o meu corpo... o tecido queria ter pano para mangas, mas o meu corpo não deixava. Eu estava mais gorda, e não havia nada a fazer... quer dizer, haver, havia, mas o cansaço do trabalho pedia compensações extra, e eu fazia todas as vontades ao meu apetite. A pessoa por quem me apaixonei incluída...
A coisa era tão carnal (uma vegetariana diria a mesma coisa?), que cada vez que ele me punha as mãos nas nádegas, e me erguia nua à frente dele, eu sentia-me uma pluma. Às vezes dizia-lhe:
"Estou gorda"
E ele respondia:
"Tu és uma mulher"
E na verdade eu sentia-me uma mulher de corpo inteiro. Entretanto terminamos a nossa relação, e eu continuei a sentir-me bem na minha pele. Emagreci, engordei, fui mais e menos bonita, vesti-me umas vezes melhor do que outras, mas cá dentro... dentro do que cabe no soutien, nas calcinhas, e do que sobra nas mangas, aprendi a sentir-me bem... bem mesmo.
Eu se fosse outra pessoa, adorava possuir este meu corpo de pêra, que não é fruto proibido. Assim resta-me ser possuída...
Bendito este meu corpo que se rendeu sem resistências ao prazer...
02 Novembro, 2006
Estar feliz
Tenho a impressão de estar feliz. Já não é mau...Tenho tido uma vida de merda, mas a culpa tem sido minha. O mais que posso dizer é que ao menos tem sido interessante.
Tem graça!!!
Não me lembro de alguma vez ter estado feliz... antes... nem em criança...
Senão lembrava-me de certeza.
Porque é muito bom.
Deve ser...
Mas afinal quem sou eu para estar feliz?
Não tenho razões para estar feliz... mas estou... feliz é aquilo que neste momento mais estou...
Mais pelo menos do que em qualquer momento de que me lembre, ocorrido durante a minha vida despreocupada e interessante.
Nunca encontro respostas para os enigmas mais importantes da minha vida... apenas encontro soluções de recurso.
Porque será?
21 Outubro, 2006
Um calor de Verão
É a nostalgia do Verão, eu sei, mas lembrei-me do calor dele, e que me apaixonei. Mas nunca pensem que vos vou conto tudo...Até agora nunca me vi a gostar de ninguém por interesse. Gosto porque sim... às vezes é o olhar que me prende, outras vezes são as mãos bonitas, ou a voz grave das palavras, que até podem ser leves. Gosto porque sim... acontece-me gostar, gosto e pronto, gosto... quero... tenho... quando corre bem é claro.
Eu vi-o, e fascinei-me logo. Uma tarde, ele passou por mim, e disse:
"Olá! Estremeci, ou foi a terra?"
Lindo, era lindo, tudo nele parecia perfeito.
Eu tinha prometido a mim mesma não voltar a envolver-me com rapazes abaixo dos trinta... mas agora rendi-me de novo aos mais novos. Não nos conhecíamos antes, e nunca mais nos voltaremos a conhecer. Foi um calor de Verão, que morre na praia, mas que incendeia o espírito, mesmo que não se queira.
Metemos conversa num bar, dançamos, beijámo-nos, e acabamos cansados de tanto prazer. Acho que até poderíamos acabar casados... mas para quê interromper o prazer?
Ele foi-se embora quando o sol já rompia o céu, e eu dormi sobre o assunto...
20 Setembro, 2006
K-Y
Foi em Dezembro que o conheci... não tarda fará um ano. As suas características são muito conhecidas. É estéril, não oleoso, transparente, não irritante, e de extrema importância. Como apareceu na minha vida, assim ficou, quase imaculado. A embalagem não é o seu forte, até é discreta, e a sua apresentação é quase confrangedora. Pesa apenas oitenta e dois gramas, e não é um contraceptivo.Falo-vos do K-Y... é este o nome de código para este gel lubrificante de combate à dor. É importante que se saiba que o K-Y não anda na boca de toda a gente. Nem pensar! Seria um erro! Nem nunca ninguém ousou dizer à boca cheia: "Eu amo o K-Y", ou "Eu dava a minha vida pelo K-Y", nada disso, o K-Y é um nome que se diz como se fosse uma senha, porque ele é capaz de uma revolução. Nas farmácias, já todos estão treinados para o ler nos lábios dos clientes. Perante o K-Y, qualquer caixa de preservativos pedida na farmácia é como pedir um Vic Vaporub... inofensivo.
Eu ainda usei pouco o K-Y... não tem calhado. Guardo-o para ocasiões especiais. Chamem-me conservadora, mas comigo ninguém merece conhecer o K-Y nas duas ou três primeiras noites... depois logo se vê... o momento pode pedir... ou não.
Durante muitos anos, a minha vida sexual não passou por aí... não sei bem porquê. Não deve ser uma questão de maturidade, pois não? Os homens, é seguro, pensam muito mais nisso, e algumas mulheres dizem: "Nem penses nisso!". Sinceramente nunca ninguém me propôs nada que eu não quisesse.
Agora lembrei-me da noite em que decidimos experimentar o que nunca tínhamos feito antes... passe o tempo que passar, nós vamo-nos sempre lembrar e repetir aquela primeira vez...
Mesmo sem o K-Y...
12 Setembro, 2006
Quanto mais longe...
Quanto mais longe mais perto me sinto de ti, como se os teus passos estivessem aqui ao pé de mim, e eu pudesse seguir-te, falar-te, e dizer-te o quanto te amo, e como te procuro, no meio de uma destas ruas em que te vejo, zangada de saudade, no céu claro... no dia quente...Devolve-me a minha vida e o meu tempo. Diz qualquer coisa a este coração palerma que não sabe nada de nada, que julga que andas aqui por perto, e chama sem parar por ti.
06 Agosto, 2006
Estar perto
Estar perto é uma expressão que eu gosto de saborear.Estar perto é saber que vai acontecer, está quase, está prestes, vai ser.
Gosto de dizer aos meus namorados "estou perto", para eles se aproximarem ainda mais de mim nesse momento.
Sentir-me perto é também rondar o amor.
Fazer-lhe o cerco, e às vezes sentir-me aprisionada, mesmo que o momento não se repita.
Quantos de vocês estão perto da pessoa com quem partilham a intimidade?
21 Junho, 2006
Conceito de amor
Todos nós temos uma ideia de amor, e depois facilmente, com alguns ajustes, encaixamos lá alguém.Eu espero precisamente o contrário.
Não quero ninguém para arrumar no meu conceito de amor.
Eu quero que cada pessoa por quem me apaixono crie ela própria um novo conceito de amor.
Que seria do amor sem a eterna descoberta, e a perpétua renovação?
04 Junho, 2006
Sofrer é fodido
Sofrer é fodido porque o amor é fodido.Mas como foder o sofrimento?
Fazendo sofrer os outros?
Já experimentei.
Não resulta!!!...
29 Maio, 2006
Sou feliz assim... e ele também...
Gosto de observar os homens casados. Gosto de os ouvir bater com a aliança na mesa enquanto me ouvem... enquanto os ouço.Gosto de homens que não são casados comigo, e a quem nunca terei que dizer - "Ou ela, ou eu!".
Gosto também de lhes tirar a aliança com a boca... isto é na parte em que já não estamos a conversar à mesa...
Muita gente que conheço ainda se indigna com a hipótese de um homem casado se apaixonar. Como se o casamento os tivesse que castrar. Como se os filhos lhes roubassem o direito à paixão. Eu, sou de um tempo que ainda está para vir, porque vivo sem condenação, nem penitência.
Se digo que alguém casado é bonito, ouço logo - "Olha que ele é casado".
E eu respondo - "E depois? Não tem direito de ser feliz?".
Nunca vi na cobiça alheia um afrodisíaco. O que for das outras, será delas enquanto lhes for possível. Já sobrevivi à partilha de intimidade roubada, e dói, evidentemente, mas há pessoas neste mundo para nos mostrar o fracasso da nossa relação.
Se o meu "homem" passou a ser o "homem" da minha amiga, é porque alguma coisa não estava bem, não me interessa verdadeiramente saber quem assediou quem, porque é sinal de que os dois precisavam um do outro.
Eu conheci-o no trabalho, e ele até era um rapaz simpático e atento... e nós sabemos que a atenção está para o amor como a curiosidade para a inteligência, mas nunca a desenvolvemos...
Reencontrámo-nos anos depois, ele casado... eu sozinha. Ele quase feliz com a vida que tinha... eu quase feliz com a independência que era só minha.
Um dia, à mesa, com o brilho do "ouro" no dedo quase a cegar-me, perguntou-me se eu tinha alguém. Eu disse que não, e corei... sabe-se lá porquê!!!
Ele não sabia com quantas pessoas eu "durmo"... e eu não sabia quantas vezes ele tinha sexo. Mas sei que gosta... e eu também gosto...
Aos trinta anos, descobri esta forma invulgar de amor... sem posse, nem desconfiança. Sem hipóteses de nos trairmos, porque já vivemos na traição.
- "E o sexo?" - alguém me perguntou.
O sexo é bom cada vez que é nosso. É suave, quando em nós há uma vulnerabilidade acumulada (há quem lhe chame saudade), e ficamos neste espaço apertado, que é o meu sofá, a mexermo-nos tão devagarinho, comandados pelo calor, e pelo ardor do encontro. Depois adormecemos meia hora, e logo a seguir, ele vai embora.
Se eu sou feliz assim, e ele também, quem nos pode condenar?
10 Maio, 2006
Conquistar pelo estômago
Há a ideia de que os homens se conquistam pelo estômago. Esta expressão sempre me tirou o apetite, e não pensem que não sei cozinhar.Para mim o prazer da comida é tão bom como o de ser comida. Alimentar o próximo é uma das missões do ser humano, e eu contribuo sempre que posso...
Gosto de cozinhar e de descobrir nas coisas mais simples o segredo para grandes resultados. Como no sexo? Sim, como no sexo. É como deixar o soutien abaixo do peito sem nunca o tirar completamente, costuma funcionar bem...
Tal como julgo que ninguém nasce mais ou menos dotado para a prática do sexo, também me parece que na cozinha é tudo uma questão de empenho e imaginação.
Os homens já não se conquistam pelo estômago, e muitos até já só se deixam conquistar pelas bocas... de silicone.
Não condeno ninguém, mas lembro-me de uma amiga minha, que chegava a casa depois do trabalho, e ia cozinhar "para o resto da semana". Acabou gorda e abandonada. Ao passar a ser o prato mesmo forte do homem que ela gostava, ele não resistiu à fraqueza da carne alheia. Lá a deixou com mais doze quilos, e o dobro das estrias. Felizmente ela de tanto sofrer emagreceu. Ainda o cheguei a ouvir dizer:
"Quando a conheci ela usava minissaia"
Sou tão contra isto, como contra as mulheres que deixam os namorados morrer à fome a partir do segundo ano de convivência sexual. As enxaquecas (metade da palavra é mentira) passam a ser a ementa repetitiva da relação, e sabemos que ninguém gosta de comer sempre a mesma coisa... quanto mais não comer!!!
Falta de educação à mesa também não tolero. Que não acabem a refeição para se deliciarem comigo, é uma coisa, agora que me perguntem pela carne depois de terem comido peixe, é que já não aguento.
Pessoalmente fico muito contente cada vez que um homem me mostra que sabe usar as mãos na cozinha. Quando ele engordar nunca o irei chatear com a história da minissaia...
20 Abril, 2006
A coisa funciona sozinha
Damo-nos mal...Fodemos bem e fodemos mal, mas nunca nos damos bem.
Estamos sempre a foder, ou a recuperar, ou a prepararmo-nos para foder.
Em nada afecta o nosso amor.
Tanto suspirámos como arfámos, tanto dizemos carinhos como palavrões, é-nos igual.
A coisa funciona sozinha.
Se exigisse algum esforço da nossa parte, fracassaria.
É a consolação que nos resta.
O amor é fodido, mas foder também...
06 Abril, 2006
O meu pijama

- És tão macia...
Eu digo que sim, e penso:
- Agora já podes tirar o braço do meu ombro.
Evidentemente que ele está a fazer o mesmo sacrifício que eu, mas pensa duas vezes antes de se afastar, porque tem medo de parecer pouco romântico, e de dar logo a impressão (dois preservativos depois), que era apenas o sexo que o movia. Tento sempre evitar os complexos, por isso procuro manter o ambiente à média luz, para que não seja na primeira noite que se fiquem a conhecer todos os meus defeitos.
Aproveito o facto de acordar sempre a meio da noite para vestir o que estiver à mão... mas nunca as cuecas dele, nem a camisa (isso é coisa de filmes) que ele vai voltar a usar... muito menos as meias...
Normalmente quando acordo procuro o meu pijama. Uso sempre combinados (calças/camisola) discretos, de cor única, que se podem passear num jogging matinal. Muitas vezes para os enganar, salto da cama ao primeiro toque do despertador e digo já a respirar com disciplina:
- Vai uma corridinha?
Eles ainda atordoados esfregam os olhos, e não percebem que estive ali o tempo todo a dormir "equipada". Assim ficam com uma imagem de uma mulher energética, ainda que se perguntem porque é que eu não tenho um corpo mais atlético...
Pijama sim, camisa de noite imaculada nunca, ou passaria a madrugada em branco...
03 Março, 2006
Deixar rasto...
Desconfio sempre das pessoas que não usam perfume, porque para mim isso significa que não dão importância ao cheiro.Aconteceu-me há pouco tempo conhecer alguém por quem me julguei apaixonada, que não usava perfume.
Conheci-o numa noite de copos e música dos anos oitenta. Ele estava na pista a dançar, onde toda a gente suava ao ritmo que dançava, e havia quem destilasse perfume, e quem se tornasse indesejável a um palmo de distância.
Em noites assim a minha miopia trai-me constantemente. Acontece-me ver alguém de quem penso gostar e avanço destemida, e quando finalmente os meus olhos dão de caras com a figura, caio em mim e quase tropeço.
Ele parecia-me bonito, mas para ser verdadeiramente sincera, o que me chamou a atenção foi o facto de haver alguém que parecia olhar insistentemente para mim... e era bonito... ou parecia...
Em noites destas, quando a miopia e a Vodka se encontram o risco é maior.
Era verdade, ele olhava para mim. Eu passei rente a ele, com a desculpa de ir subir umas escadas, e ele agarrou-me o braço. Ele era o verdadeiro "homem cebola", sem perfume, e disposto a sair da casca naquela noite.
A miopia não me tinha traído assim tanto, porque ele até tinha uma figura bonita, e a conversa arrastou-se pela noite fora... fomos parar à cama... o intenso desejo dele por mim excitou-me... consumia-me com aquela avidez de alguém esfomeado a quem se dá um prato cheio... e eu tenho muito prazer em ver comer...
Quando ele se foi embora, ficou-me o cheiro da pele... da pele que não respira o prazer do perfume...
Dois dias depois, marcámos um encontro num bar ao fim do dia, e quando me deu dois beijos senti-lhe o cheiro da pele... aquele cheiro que não vê perfume, e perguntei-lhe:
- Tu não usas perfume, pois não? É que eu seria incapaz de me apaixonar por alguém que não gostasse de perfume
Ele respondeu-me:
- Não, não uso perfume, mas acredito que deixo rasto...
E eu pensei comigo mesma...
Pois deixas, mas eu é que prefiro perder o teu...
14 Fevereiro, 2006
Dia dos Namorados
Dia dos Namorados... Eu sozinho... Tu sozinha... Eu sem ti... Tu sem mim... Semi-destruidos... Semi-aliviados... Eu a pensar em ti... E tu em mim... A passar o Dia dos Namorados... Buá, buá, buá...
Ai, amor... Se calhar estamos melhor assim...
06 Fevereiro, 2006
O meu sonho
Esta semana sonhei que tinha uma cama onde cabiam todas as pessoas com quem já dormi... Gente encavalitada, mais cabeça que corpo, e eu a braços com tudo aquilo.E cabem todos? - perguntam vocês
Cabem pois! A cama deve ter sido mandada fazer. Há aqui cada encomenda... felizmente os pés não se vêem...
Quando os corpos se precipitam para o abismo que é o prazer, muitas vezes as meias ficam esquecidas... nos pés. Um homem com meias de má qualidade é como uma mulher com cuecas lassas. A evitar, porque acidentes e flirts acontecem a toda a hora. E há muitos flirts que se revelam um desastre por causa de umas cuecas disformes ou de um par de meias.
Quando acordei do sonho, procurei explicações para a insistência nas meias. E só horas depois percebi que muitos dos que ali estavam me tinham dado com os pés. Ou será que é a cama que é o meu calcanhar de aquiles?
28 Janeiro, 2006
Ponta da língua
Isso é tudo teu?"A pergunta trazia um rosto que eu não fixei. Era alguém que aliviava a sua masculinidade com piropos batidos.
Eu disse: "Não, pedi emprestado"
Gosto de provocação. Exibo-a no peito sem soutien.
Os audazes merecem resposta. Porque são poucos os que têm a boca na ponta da língua. E há bocas que eu gostava de ter na ponta da minha língua...
10 Janeiro, 2006
Fugir
Quando estava contigo só pensava noutras coisas. Nomeadamente: fugir. Não podia estar ali a ouvir o que me estavas a dizer. Não sei discutir. Não acreditava na tua conversa. A tua única queixa era eu não estar lá quando tu querias."Faz tudo menos fugir" - dizias
E eu não podia... enquanto tu continuavas naquele pranto, e com aquela conversa... sem amor próprio.
Cada um tem a sua doença. A minha era não querer existir. Pensava que merecias melhor do que eu, que te ias fartar de mim, que me ias descobrir. E afinal, contrariamente a mim, a única coisa que eu tinha para descobrires, à parte do meu grande amor, era a minha queda por ti.
05 Janeiro, 2006
O mar como pano de fundo
Fui passar férias com uma pessoa que conheço, e que eu acho que me conhece bem. Uma das poucas a quem me parece que ainda posso pedir tudo.Acabamos por nos amar, e o nosso amor parece nunca chegar ao fim. Lá para onde fomos, onde por estes dias o sol é impedioso e nos torna passivos, gostava de chegar ao quarto e passear-me com o mínimo de roupa possível. Era o princípio do sexo...
Por vezes torno-me uma presa fácil... para melgas dissimuladas.
Ao terceiro dia, no nosso quarto, com o mar como pano de fundo, e um resto de lua perdida no céu, deram à costa as primeiras picadas... instantaneamente transformadas em perturbação das duas da manhã.
- Estás a dormir?
- Não... diz!
- Coça-me as costas...
Isto terminava sempre bem. Eu adormecia satisfeita com um sorriso quase orgásmico, e as mãos que saciavam a minha necessidade partiam em busca das melgas...
A vida em comum tem destes episódios, e confesso que já sentia saudades de tudo isto...
21 Dezembro, 2005
Muitas vezes... nem à família!
É hora de almoço, e invento uma sesta. Sou uma profissional, e não durmo em serviço, mas uma sestazinha sabe sempre bem...Apanho o colega mais apetecido, e paramos no hotel mais próximo. Já estamos no quarto, despidos, ávidos, e ele pergunta:
- Como gostas mais?
Eu respondo que temos tempo para tudo...
É claro que não temos tempo para tudo. Não há tempo nenhum, nem para perguntas. Estou de frente para a parede, ele atrás de mim a agarrar-me pela cintura, e de repente uma comichão incontrolável surge-me no meio das costas. Mexo-me, remexo-me, ainda procuro o comando da televisão, mas não consigo evitar um:
- Pára! Preciso que me coces as costas!
Tenho pena de não lhe ter visto a primeira reacção, já que a posição do momento só me permitia olhar para a cabeceira da cama...
No fundo, eu até estava a dar-lhe a oportunidade rara, de passar de amante esporádico a amigo para o resto da vida.
Pensem na escassa quantidade de pessoas a quem pediram para vos coçar as costas. Nem à família, muitas vezes!
08 Dezembro, 2005
O amor é fodido
O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.Porque é que fodemos o amor?
Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem que haver escombros. Tem que haver esperança. Tem que haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo.
O nosso amor já está fodido há muito tempo. Ela não acredita em nada do que eu digo, mesmo quando eu não digo nada...
01 Dezembro, 2005
Para trás das costas
Gosto de chegar a casa e passear-me com o mínimo de roupa possível...Tenho a cama feita de lavado. O computador em cima das pernas, tiro os óculos e socorro-me de uma das hastes para chegar ao ponto que me interessa - o meio das costas - que a mão não alcança.
Depois gosto de ficar a falar para dentro do computador. Quando as palavras ficam presas no ecrã, deixam de estar à solta na minha cabeça.
Um dia ainda vão perceber porque gosto tanto de escrever...
26 Novembro, 2005
Nunca é tarde demais para vibrar...
Imaginem um restaurante super elegante. Imaginem-me de vestido preto. Imaginem que dentro da minha mala tenho um vibrador que não combina nada com o homem que tenho à minha frente.Eu temia que ele fosse um daqueles homens na crise da meia-idade que sufocam uma mulher quando a beijam. Se virem nisto algum arrebatamento cinematográfico, desenganem-se. É assustador.
E, pensando bem, talvez verdadeiramente assustador seja uma mala que se abre sem elegância, num restaurante onde quase ninguém sabe o que é a crise da meia-idade, e muito menos um vibrador.
Não vejo sexo neste homem bem parecido. Nem é por eu ter encostado o meu joelho ao dele e não ter sentido nada. Nem é por eu ter um vibrador na mala...
O meu telemóvel estava quase a tocar e eu... não sabia. Ele estava quase a tocar-me e eu... também não sabia.
Tudo se precipitou no momento em que entorno o último copo de vinho tinto... e ele agarra-me a mão... e eu agarro no telemóvel que toca... e a mala abre-se caindo no chão...
Momento de ouro do jantar... o vibrador rola no chão... que filme!
O vibrador foi um presente dos meus trinta anos, e para quem acha que já está fora de tempo posso garantir que nunca é tarde demais para vibrar... nem com um momento destes...
Não cheguei a ser vítima dos beijos sufocantes, já que o ambiente se tornou irrespirável. Ele ainda me disse delicadamente "Deixaste cair o teu perfume", e eu remato o momento com uma gargalhada e digo "Lá se foram as pilhas".
Recolhi o vibrador para a mala, despedi-me, alegando cansaço, e fui embora.
O tempo em que recebíamos de presente varinhas mágicas e copos misturadores já lá vai. A era dos vibradores está aí. Há para todos os gostos e carteiras, daí eu ter-me esquecido do meu na minha...
Lembrem-se neste Natal de dar coisas úteis às vossas amigas...
20 Novembro, 2005
Mudar os lençóis
Gosto da sensação de corpo partido, que no caso do sexo é muitas vezes a do dever cumprido.Aquele andar desconchavado, uma marquita ou outra no pescoço, uns arranhões nas costas, um soutien perdido... tudo recordo com prazer depois de umas horas bem passadas.
O gosto de mudar os lençóis também não o deixo para ninguém. Olho para o que ficou com um sorriso nostálgico, como se recordasse as fotografias da minha primeira comunhão. Também aqui é de comunhão que se trata...
É por isso que sexo na cama é bom. Não vejo nisto nada de antiquado. Gosto que fique impressa a história de uma noite. Depois é lavar e pôr de novo...
16 Novembro, 2005
Mentir
Só te tenho pedido ao longo do tempo que temos passado juntos uma única coisa, que me digas sempre a verdade.Podes ir e vir quando e como te apetecer... correr atrás de quem quiseres... roubar-me dinheiro... afastar-me dos meus amigos... fazer-me cenas no trabalho... chamar-me todos os nomes...
Não gosto, mas aceito tudo, desde que não me mintas. Porque é que uma pessoa que pode fazer todas as maldades que lhe vêm à cabeça, com impunidade e protecção constante, precisa, para além disso, de mentir?
Não percebo. Nunca irei perceber.
O que é que eu verifico que mais me tens feito desde que estamos juntos, muito mais do que estragar-me a vida?
Mentir-me... mentir-me sem razão... mentir-me sem medo de seres apanhada... mentir-me acerca das tuas próprias mentiras.
E porquê? Porque gostas de mentir?
Não. Mentes só porque eu te peço para não me mentires. Custa-te mas lá consegues. Esforças-te para contrariar a tua fraqueza, tal é a vontade de me enganares e desiludires.
"Posso ser má mas sou sincera..." - Estás sempre a dizer isto. E eu acredito, claro!!!
Tens de me mentir para eu nunca saber de nada, julgando que sei. Fazes de mim um parvo para além de toda a estupidez possível...
13 Novembro, 2005
O cinema
Por todo o lado se lê agora que o cinema é o maior culpado da frustração sexual. Os homens indignam-se, porque não há mulheres dispostas a ter sexo contra a porta do frigorífico... na padaria... em cima do estirador... na furgoneta avariada...As mulheres não percebem como é que as outras mulheres - as que vêem nos filmes - ficam húmidas em dois segundos e atingem o orgasmo com eles ainda de calças vestidas na casa de banho pública. O cinema é tudo isto. A nossa vida normalmente é menos que isto...
O sexo em toda a parte devia ser obrigatório para deixar-mos a caminha para momentos especiais, mas somos levados pelo óbvio, mesmo quando o momento é inesperado. Tenho uma amiga que se queixava de o namorado não querer sexo senão na cama. Péssimo, claro, mas, tal como ensinamos os cãezinhos a fazer chichi no sítio certo, também podemos levar o nosso namorado ao lugar que fantasiámos.
A minha amiga tem agora outro namorado que gosta de sexo na casa toda... menos na cama. A justiça ri-se de nós.
Eu, que tenho uma casa com uma enorme varanda, não a tenho rentabilizado como devia. É que normalmente mostro a casa inteira e o momento da varanda é apressado para não parecer romântico. É também recente a minha descoberta - mas descobrimos tudo depois dos trinta? - de que os homens se assustam quando lhes mostro a casa. Como é que descobri? Há aqueles que ao fim do jantar e três copos depois, nunca tendo a relação passado da amizade, me dizem:
"Tu realmente és um bocado oferecida. Convidas-me para subir e ver a casa, e o que querias?"
Na verdade, não queria nada. Acho simpático agradecer a boleia e convidar para subir. Lá vem o cinema outra vez. Nos filmes, quando se vê uma cena destas, não é para comer tarte...
Mas, meus amigos, ex-namorados e aqueles que hão-de vir, se vos mostrei a casa e a varanda e vos deixei ir em paz é porque nunca vi sexo em vocês.
07 Novembro, 2005
Ficar sozinho
Numa determinada fase da minha vida decidi que mais valia ficar sozinho... e nunca tive tantas "namoradas" como nessa fase!!!A minha última paixão já me tinha passado e parecia-me a ocasião ideal para me isolar do mundo do qual me tinha fartado.
Porque será que as mulheres não resistem a um homem que quer mesmo estar sozinho, que nem sequer quer ter amigas só para ir para a cama com elas?
Não se pode ficar sozinho e bem disposto neste mundo. Para se garantir uma solidão minimamente desacompanhada é preciso estar-se triste.
Eu não estava...
Tinha algum dinheiro... carro... casa e outras coisas parecidas que também nos impedem de descer à mais baixa das misérias.
O meu período "só" foi... um corropio!!!
As gajas entravam por uma porta num dia e saíam por outra no dia seguinte... raramente se cruzavam... cada uma era "atendida" no seu tempo, com um toque personalizado. Se calhar combinavam entre elas... capaz disso eram elas, tal era o desrespeito que me tinham. Só sei que muitas delas eram amigas umas das outras. Sei porque era destas que eu menos gostava. Foder uma amiga de uma amiga é chato, é como sair um cromo repetido. Então quando elas se fartam de nos imaginar com outras mulheres, como é do seu feitio, é sempre de temer que nos estejam a imaginar na cama com as amigas.
Tira um bocado o tesão esta familiaridade.
Quando se está sozinho só se pensa em foder, da mesma forma que quando se pára de foder só se pensa em estar sozinho.
31 Outubro, 2005
Posso conhecê-la?
Mas será possível que a maioria dos homens que me escrevem têm na cabeça o mesmo objectivo: "Posso Conhecê-la?" ou - género mais abusivo - "Podes mandar-me uma fotografia?"Gosto de agradecer a quem decide escrever-me, seja para o elogio, seja para a ofensa. O acto de escrever é sempre corajoso e eu gosto de estar à altura da resposta, mas quando descamba para o piropo piroso ou para a ofensa desisto.
Pensarão que por eu ser mulher, vou aceder desesperadamente ao convite para um encontro?
Ó meus amigos...!!!
Acham que por eu me dar a quem gosto, estou disposta a dar-me a quem não conheço (?) Tudo isto é mais curioso quando partem para o insulto fácil, por não obterem resposta aos convites. Desde pequenina que sempre ouvi dizer que para grandes mails, grandes remédios.
A minha mãe sempre me disse: "Tu não sejas oferecida". Já o meu pai preferia repetir-me vezes sem conta: "A fruta não se come antes de estar madura".
Os dois tinham razão, mas sempre gostei de os contrariar. Porque não hei-de eu comer um perozito verde se a fruta madura, às vezes, já vem mole?
Eu nunca precisei de ser uma oferecida, mas, se me quiser dar por "dá-cá-aquela-fruta", dou.
23 Outubro, 2005
Apaixonei-me
Apaixonei-me num momento desprevenido!!! Estava a ver um jogo de futebol, ela meteu-se à frente do televisor e, em vez de lhe dar um grito, não reparei... pela minha saúde... fiquei ali especado a olhar para ela. Um minuto de exposição foi quanto bastou. Não se pode olhar muito tempo para gajas bonitas sem este género de merdas acontecerem...